quarta-feira, 17 de novembro de 2010

À sensação de que você poderia morrer sem deixar saudades.

O tempo passa devagar e errado, mas passa. Embora seja torturante que cada nova manhã traga com ela o infinito das horas, a verdade é que toda noite traz consigo algo muito pior.

Se a manhã desperta a indisposição de abrir as janelas e dar as caras ao longo dia que me espera, é durante a noite que bate uma inquietude atípica, cheia de sentimentos reprimidos.

A angustia vem às 23:00min. É nessa hora que se percebe o quão inútil foi o dia que ainda jaz lentamente. A sensação é inescrupulosa... De olhar pra você mesmo e não ter nada a dizer. Saber que as horas que passaram não foram nada além de um dia comum é uma coisa perturbadora.

Meia noite. O corpo pede clemência, pois trabalhou duro durante todo o dia recém passado. À parte disso, o corpo deve deitar-se só e sozinho, afinal de contas... Foi de estar perdido em tantas horas vagarosas que conheceu, talvez a pior de todas as sensações, a solidão.

O único tempo que existe é o futuro. Nada além disso. Nas ruas, nas escolas, nos trabalhos, tudo é pensado e construído para que não se viva o Hoje. Assim, portanto, faz-se desconhecido outro ser humano dotado de espontaneidade, com os sentimentos à flor da pele.

Ainda é na madrugada que chega a saudade. Saudade da infância e das tardes na casa dos avós? É claro. Mas saudade também de todas as lembranças não vividas. Saudade de amar incondicionalmente. Saudade de se entregar a uma realidade onde os sonhos sejam reais. Saudade de ir dormir arrependido. Saudade.

Por fim, tudo o que fica é a ilusão de viver a vida

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