Eu queria ter uma virtude que não fosse encontrar virtudes. Eu queria conseguir parar de dissecar o óbvio e achar coisas onde não deveria ter. Eu queria olhar aqueles dois olhos azuis e não ver nada além deles...
.
Seria bom se todos nós fôssemos redondos. Sem nenhum vértice escondido, sem nenhuma virtude pra revelar. A solidão com certeza seria só um pontinho tangente num setor circular qualquer e que logo desapareceria.
.
O problema de ser redondo é só um... Nenhum círculo se encaixa em outro. A verdade é que amar é coisa de vértice... Só os polígonos não-convexos podem preencher e ser preenchidos por outro. Apaixonar-se por um elemento perfeito como uma circunferência é muito fácil... Mas amor mesmo é se encantar pela quebra da regularidade, pelas peculiaridades, ou nesse caso, pelas linhas que ficam de fora do seu interior.
.
Nos vértices das nossas vidas, escondidas e cheias de horizontes a serem desbravados, estão as verdadeiras virtudes... São aqueles dois olhos azuis, é o que está por trás do óbvio, é a sutil e corrosiva virgindade da paixão, e por fim, é a razão de todas as minhas angustias.
Nenhum comentário:
Postar um comentário