segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Zero

Todos os meus sentimentos implodiram. Só me restou um maciço inerte, sem cor, sem alma, indecifrável. Nem a angustia antes tão presente está mais aqui.
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Eu queria mesmo sentir o amor... Há tanto que não o sinto. Se bem que numa hora dessas até um ódio mortal bastaria. O zero absoluto é que eu não aguento mais.
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Acho que todo mundo deve ter se perguntado alguma vez "E se quando morrermos, tudo estiver acabado?". Mas e se tudo acabar antes mesmo de morrermos, como é que é? Prefiro não dar continuidade a essa idéia. Pelo menos não agora.
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Tem um cara chamado Billy Corgan, que seja um roqueiro chato ou não, escreve umas coisas interessantes. "O vazio é a solidão e estar só é estar puro. A pureza é algo de deus, então deus é vazio como eu sou." Pensando nisso e pensando na incapacidade de sentir que é a minha constante atual, será que o zero absoluto realmente é a solidão? Será que não conseguir alavancar um único sentimento é uma forma de sentir? No caso, Não sentir é sentir-se só?
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Vai saber, só sei que o vazio é tão escasso que se havia algum resquício de o que quer que fosse, foi embora antes que eu pudesse terminar esse texto.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Falso

O infinito me deserdou. Agora só me resta viver do passado.
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O sonho acabou. Você foi embora.
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Já não posso mais respirar.

Riso

Seu riso era a motivação que me faltava para eu amarrar meus cadarços e sair na rua, na esperança de esbarrar com você.

Só

Só não me faça perceber que você já foi embora.
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Porque assim eu não poderei mais respirar.
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Só não me faça perceber que os meus dias não terão você.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Trim Trim!

Não me faça parar de acreditar que eu te amo.
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Pois se o amor é mesmo tão forte que me faz capaz de Tudo, não faça com que Tudo seja te esquecer.
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Basta atender o telefone.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Saudade

Saudade do que passou e do que nem vai acontecer.
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Lembrar dos tempos áureos de sete, oito, nove, dez anos de idade e pensar que naquela época eu mesmo me bastava. Nada é mais maravilhoso que a eterna epifania que é a infância, desconexa de alcool e de aventuras sexuais. Todo dia era uma novidade. Estar acompanhado era acaso... Eu me bastava e era isso que contava.
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Lembrar também, que o tempo passou. E passou com ele, toda a magia que havia em mim. Enxergar o mundo com olhos safados, desabotoando as blusas de todas as moças da rua virou uma constante. À parte disso, também nasceu em mim a necessidade mais hipócrita e mais intensa de todas, a de descobrir uma moça em especial, que me faz desejá-la mais que qualquer outra coisa... Fazendo assim com que quaisquer outros desejos meus sejam meramente banalizados. Eis a solidão: Não ouso me entregar ao mundo, pois o mundo é banal e não é aquilo que eu quero. Noves fora, o que eu quero parece não me corresponder.
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Desde então, eu me engano vivendo um sonho narcisista, anulando meu orgulho e superestimando meu amor... É mais fácil assim do que ir à luta.
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Obs: Originalmente postado no Bicho de 3 Cabeças, em 05 de maio de 2010.

A Boceta no pedestal.

Por que a boceta desceu do pedestal e se tornou uma aquisição tão fácil quanto uma garrafa de cachaça?

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Por que eu não posso mais me vangloriar do sofrimento por aquele pedacinho de couro quente, conhecido por acalmar todo e qualquer pranto?

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Por que a boceta não é mais o reflexo, no plano mais íntimo da confiança, daqueles olhos bonitos que me conquistaram?

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Por que a virtude não é o amor, mas sim a múltipla escolha traçada pelos olhares numa boate?

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Por que a própria boceta tem a vontade de se entregar a promiscuidade sem pensar nos filhos que sairão dela um dia?

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Por que o delírio adocicado do coração batendo nas costas de seu amor, desacelera o ritmo enquanto a boca cochicha carinhos não faz mais sentido?

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Por que a boceta insiste em ser chamada de “mete para caralho” toda vez que avista uma antiga aventura papeando sobre a vida alheia.

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Por que a liberdade foi confundida com o desapego por si mesma?

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Por que a boceta desceu do pedestal?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Coisas do Klitóris

Preciso de você para andar comigo à noite inteira, descalça, pela areia cheia de lixo quase-tóxico da praia de boa viagem

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No final, quando o sol ainda estiver dando as caras, você já vai ter o olhar mais azul que o céu das seis e meia.